1.1 Apresentação - Relatório 2020.1

O avanço do uso de informações para solucionar diferentes tipos de questões e problemas gerou muitas mudanças em um curto espaço de tempo na história da sociedade. Novos questionamentos e desafios surgem em um contexto marcado pela Tecnologia da Informação e Comunicação, orientada ou dominada por notícias falsas (fake news), por grandes massas de dados (Big data) e pela internet das coisas (Internet of things). O reconhecimento de problemas e oportunidades requer soluções e tomadas de decisões cada vez mais personalizadas, lançando mão dos avanços da ciência no sentido de contribuir para o incremento das formas de pensar e, com isso, para o impulso da qualidade de vida. Assim, algoritmos e tecnologias trazem na sua concepção também vieses sociais, raciais ou de gênero que beneficiam uma parte privilegiada da sociedade. Por isso, vem sendo preciso desenvolver mecanismos e oportunidades de apoio à formação de cidadãos para torná-los capazes, por exemplo, de entender como as empresas têm acesso aos seus dados, como são construídos modelos que preveem seus desejos e como algoritmos podem afetar suas decisões e seu senso crítico. Cidadãos que usem suas experiências para compreender o universo científico sob diferentes aspectos e com percepção da interdisciplinaridade de soluções de problemas cotidianos; com habilidades de exploração e abstração das diversas realidades e cenários que impactam diretamente ou tangencialmente o seu cotidiano e sua comunidade; com visões críticas ampliadas acerca da cidade e da sociedade, bem como se percebam e atuem como protagonistas de mudanças e transformações da sociedade e resilientes frente a um futuro incerto, agravado durante a pandemia.

Assim, pretende-se formar pessoas de modo holístico, sem prescindir do viés humanizador que a educação pode propiciar. Em uma das quatro vertentes do Programa, o trabalho com as dimensões de gênero, raça e classe social visa o reconhecimento identitário de nossas/os estudantes, mas, sobretudo, torná-las/os agentes de transformações sociais, agindo local e globalmente, combatendo todo tipo de segregação. Por isso, acreditamos e incentivamos a Justiça social por meio da educação, focando nossas discussões na equidade e no respeito aos Direitos Humanos.

“Não podemos inserir indivíduos menos privilegiados em uma estrutura social que é originalmente codificada para os privilegiados, temos que mudar a estrutura.”
Parafraseando Mary Beardy para Women & Power: O Manifesto, 2017: “You cannot easily fit women into a structure that is already coded as male; you have to change the structure.”